quarta-feira, 31 de outubro de 2007

É...Simples assim :-)

Sabe aquela pessoa que te tira do sério?

Pode ser alguém que você não gosta mesmo, ou pode ser alguém que gosta ou até ama, mas em determinados momentos, consegue agir ou falar de uma maneira extremamente enlouquecedora, mas em todo caso é alguém capaz de provocar reações desagradáveis em você.

Existem vários truques para poder aturar tais pessoas na hora em que estamos testando nossa paciência. Já encontrei alguns exercícios engraçadinhos em que se vê a pessoa que é objeto do desgosto em situações engraçadas, como por exemplo: sentado em cima do vaso sanitário, de fraldas, com macaquinho no seu ombro ou enfiando meus dedos no ouvido dela, etc.
Eu nunca consegui gostar destas técnicas, mesmo entendendo que visam cortar o efeito maléfico da própria percepção negativa a respeito da pessoa. Entendo que é uma coisa do meu modelo de mundo - acho que não vale se sentir melhor "rebaixando" o outro.
Aí, um dia conheci as técnicas do Michael Colgrass, compositor premiado e treinador de PNL. Li sobre alguns trabalhos fantásticos para improvisação, uso do palco, gestão de estados e coisas do gênero. Mas, uma técnica pequenininha que ele incluiu em suas aulas, ficou comigo como uma bela maneira de cortar efeitos nocivos de percepções negativas sobre outros, sem recorrer a imagens negativas.
Ele conta que a esposa dele, a Ulla, havia inventando uma maneira muito lúdica de enquadrar, mentalmente, aquelas pessoas que nos tiram do sério. Ela é do teatro e aprecia bons atores. Então, na hora em que alguém está se comportando de uma maneira especialmente irritante, ela pensa, "Nossa! Que ator excelente! Como sabe incorporar este personagem de forma tão excelente que a platéia, como eu, consegue ter este asco, só de ver e ouvir o jeito de falar e agir!". Este reenquadramento mental usa uma estratégia que aprecio muito: substitui julgamento e reação negativa para uma observação e apreciação de "talentos".

Na verdade, na fantasia de ver o objeto de nosso desdém como ator que nos faz reagir, estamos incluindo uma responsabilidade nossa no efeito gerado pelo outro. Assim, podemos cortar nossas próprias reações condicionadas e superar nossas percepções limitantes e negativas sobre outras pessoas sem focar o negativo e sim brincando com a idéia de atores especialmente provocadores para nós em nossa condição de platéia.

Combina com aquela citação do Shakespeare : "O mundo inteiro é um palco, e todos os homens e todas as mulheres são apenas atores".

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