Se há um palavra que instiga vontade em todos nós, esta é liberdade.
Queremos ser livres, queremos poder escolher.
Viver bem e ter qualidade de vida normalmente estão relacionados a desfrutar de liberdade para escolher. A possibilidade de mudar, mesmo que seja para continuar do jeito que está.
Quanta diferença há entre “ter que fazer ” e "escolher fazer". Muitos abordaram na história este assunto, com divergentes opiniões. Para alguns, não há liberdade. Para outros, sempre temos opções ; embora nem sempre a gente queira arcar com as conseqüências destas escolhas.
Meu foco não é dissertar sobre a existência ou não da liberdade, mas sim relacionar a existência desta com a disciplina. Há uma frase antiga de Fritz Perls que diz: “Para ser solto no mundo, há de se ter uma disciplina rígida”.
Faz-se necessária a diligência para se observar cada vez mais. Perceber-se na interação com o mundo ao seu redor. A cada palavra e ação, reorganizamos o sistema formado por nós e cada um dos objetos e pessoas que nos cercam...
A liberdade de escolher parece-me depender da capacidade de notar as possibilidades... Observar o máximo possível, conectar os fatos para perceber o fluxo contínuo entre tudo o que acontece. Certamente não é uma tarefa fácil ou rápida.
Uma vez que este sistema universal a todo instante está se reconstruindo e se reorganizando, sempre há algo novo. Sempre há o que ser abordado, trazendo o novo para o lugar de recém-conhecido. Quanto de auto-estudo e de superação sobre si mesmo....
Abandonar os reflexos e as reações condicionadas por possibilidades por vezes é prazeroso, por vezes pode doer. No entanto, não faz sentido manter a visão romântica de que algo existe para sempre, seja isso bom ou ruim. No filme Matrix, escutei que "a ignorância é uma benção" E concordo. Porém, temos uma tendência a dispensar essa "benção", não é mesmo?
Uma coisa incrível, para mim, é que esse autoconhecimento é irreversível. Uma vez que você passa a se perceber melhor e perceber o mundo de forma mais apurada, não há como fechar os olhos novamente. Uma realidade extremamente ampla se mostra a você e nunca mais vai embora. Diria que é um processo que vai ficando mais fácil a cada experiência.
Quanto mais nos conhecemos, mais rapidamente o processo acontece. Na medida em que notamos as nuances da humanidade, as cores ficam cada vez mais diferenciadas umas das outras.
Disciplina, constância, diligência.
Auto-observação para superar-se. Acima de tudo, porém, contentamento.
Não abaixar a cabeça para o que não é suficiente.
Contentar-se no sentido de perceber que aqui e agora, no único momento que realmente importa, você foi capaz de chegar até certo ponto... e isso merece ser comemorado. E como!
Cada um de nós merece extrair prazer daquilo que faz, fala e vive. Sem este contentamento, a disciplina nunca vai lhe trazer liberdade, será uma prisão disfarçada.
domingo, 26 de setembro de 2010
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