quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Contar até Dez...

Nem me lembro da primeira vez que ouvi isso, "Conte até dez..."
Está na sabedoria popular que contar até dez dá uma oportunidade de você esfriar a cabeça quando está prestes a perder a paciência ou estourar de raiva.
Eu, pessoalmente, já havia reparado que eu conseguia pensar em um monte de besteiras entre um número e outro – o pensamento era veloz demais! Será que contar até dez dá conta do recado? Não muito bem quando está havendo um "sequestro emocional".

O que é um sequestro emocional?
Aquilo que acontece no nosso cérebro quando ficamos com muita raiva – ou muito qualquer coisa emocional! Quando ficamos furiosos, aborrecidos, arrasados, etc., a ponto de não conseguir pensar e/ou se comunicar direito ou até de fazer tarefas que são normalmente simples, por exemplo: se enrolar na hora de sacar dinheiro no banco (OK, este foi exemplo pessoal, estava tão preocupada que nem havia reparado que o dinheiro não saía da máquina porque eu não havia inserido o cartão do banco uma segunda vez – estava perdida nos meus pensamentos de emoção da prepocupação).
Chama-se sequestro, porque é como se fosse um sequestro de avião em que o sequestrador faz o avião pousar em outro lugar.
Daniel Goleman, no seu livro Inteligência Emocional, descreve esse processo.
Em condições normais, o tálamo de nosso cérebro recebe informações vindas dos cinco sentidos e age como um controlador de tráfego aéreo, para manter o fluxo de sinais. Ele envia os impulsos para a parte adequada do córtex (por exemplo, informações visuais vão para o córtex visual), que "pensa" sobre o impulso e dá um significado. Este significado vai para a amígdala onde uma onda de peptídeos e hormônios são liberados para criar emoção e ação.
Quando há um "sequestro emocional", o tálamo reage de uma forma diferente. Como qualquer controlador de tráfego, ele pode reagir rapidamente a ameaças em potencial. Quando isso acontece, o tálamo desvia os sinais do córtex – o cérebro pensante – direto para a amígdala, o pouso "forçado" do sequestro. Lembramos que a amígdala só pode reagir baseada em padrões previamente armazenados.

Como fazer um resgate?
Para evitar possíveis conseqüências negativas de um sequestro, é importante praticar respostas que levem ao controle emocional. Quando "sequestrado", o cérebro está inundado com eletroquímicas, mas mesmo assim, temos opções. Se tomarmos as rédeas da situação, as químicas não persistem e dissipam-se de três a seis segundos.

Repito a pergunta, "Contar até dez funciona?"

No caso do sequestro, é bem capaz de ser um resgate fraco demais. Um resgate digno de um sequestro precisa ser uma tarefa cognitiva complexa com duração de seis segundos e fazer uma pausa em que se usa a parte analítica do cérebro, por exemplo: matemática, linguagem, processos complexos do canal visual ou auditivo ou qualquer pensamento de "alta ordem".
Se acontecer, dê qualquer "botão de pausa"; se tornar hábito, está na hora de mudar para um novo!

Exemplos a seguir:

· Conte até seis em outro idioma que esteja aprendendo
· Lembre dos Sete Anões e faça uma relação em ordem alfabética
· Lembre de quaisquer seis capitais de países estrangeiros
· Visualize seis detalhes de um lugar bonito
· Conjugue verbos em alemão, francês, etc
· Respire seis vezes enquanto imagina o trajeto do ar pelas narinas e pulmões
· Dê nome a seis emoções que está experimentando
· Encontre seis qualidades maravilhosas da pessoa com quem está brigando

O fato de fazer uma pausa/resgate nestas horas não significa que o problema ou gatilho de sua emoção magicamente vá embora. Mas, você terá restabelecido a comunicação entre as partes do cérebro, que permite pensar com todos os seus recursos, para que você tome boas decisões e ações.

Simples assim... :-)